Uma empresa que precisa de liquidez pode estar diante de várias causas: investimento necessário, crescimento rápido, recebimentos atrasados ou margens que não cobrem o ciclo de operação. Pedir crédito sem separar estas situações pode resolver a semana e agravar o problema do trimestre.
Comece com um mapa por cliente e fornecedor. Registe quando a fatura foi emitida, quando venceu, quando foi paga e quais disputas continuam sem responsável. Compare o prazo real com o que foi negociado. Depois, calcule quanto a empresa financia para executar cada contrato e qual parte desse valor depende de um único pagador.
A OCDE reporta que o prazo médio de pagamentos atrasados às PME em Portugal subiu de 15 para 17 dias em 2024, uma variação de 11,8%. O indicador agregado não descreve cada negócio, mas mostra que o calendário de recebimentos merece acompanhamento regular.
Com o mapa em mãos, a empresa pode decidir se precisa de renegociar condições, corrigir o processo de faturação, reforçar a cobrança, limitar exposição ou financiar uma diferença temporária. O crédito deve ser comparado com o custo de esperar e com a capacidade de pagamento sob cenários diferentes.
Medir o prazo do dinheiro não elimina a incerteza. Dá à liderança a informação para escolher qual risco aceita e qual precisa de reduzir antes de assumir uma obrigação nova.
Uma rotina de tesouraria começa por distinguir faturas emitidas, pagamentos confirmados e previsões comerciais. Essa separação impede que uma expectativa ocupe o lugar de dinheiro disponível. Também ajuda a equipa a antecipar concentração de risco e a conversar com o cliente antes de o atraso afetar salários, fornecedores ou impostos.
A subida do atraso médio reportada pela OCDE é um dado agregado para enquadrar o problema, não uma estimativa para cada empresa portuguesa. A PME deve calcular o seu próprio padrão, identificar as causas por cliente e rever cláusulas e processos de cobrança com aconselhamento adequado quando necessário.